domingo, 30 de agosto de 2009

luz

entrei.sentei.sorri.cinema.

s.e g.

já não faz mais nenhuma conquista nos mares de cá
e eu estou sem você
de tu em eu
só em desejo
meus pêlos já não cabem na minha existência
porque a rosa de alexandria sempre foi cheirosa
nunca de tirania
rosa nos seus braços
rosa me jogaria
sem fôlego, sem sopro
só com instante

o

anda tudo e tanto
para chegar no já sabia

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

bangkok 2

cidade de Gaudí
por meio de Bangkok
por cima de Toscana
Moscou se disfarça na neblina
aquela Moscou que só existe na sua cabeça
aquela cabeça que se perde em Bangkok
e quer voltar para casa

bangkok

vamos pegar o último trem para Bangkok?
de lá fugir by cab para Berlim?
ser líquido de mundo
continente de Gaudí, do yes para o sim
toca para o sul
pisca vazio sol
delira full moon
vamos pegar o último trem?

surpresa

embananou-se ao abrir a porta
e se limitou apenas em
sumir nas pupilas da visita

terça-feira, 11 de agosto de 2009

para moacyr

Espetou o palito no ouvido
Sentiu a música do fundo do corpo
Ouviu a dor da picada
Rodopiou, arrependeu-se e jurou
(como sempre repete)
Da próxima vez uso cotonete!

casório ilusório

Gang do Japão invade casamento
Taças de champanhe fazem tin-tin
Armas e fuzis fazem pou-pou
Ninguém pára de gargalhar
E o disco não pára de tocar
É aquele da novela!
Vida longa inteira
À Gloria Menezes e Tarcísio Meira!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Toada à Tongada de Arabaté

(ler com sótáque baiano, para ólívia)
Sua cara não é de toda irreconhecível
Tens um leve ar tongada de arabaté
Creio que és da Bahia
Bahia de todos os alegres e enrustidos
De seu vestido branco avesso e tonga te percebo
Um ar sutil de desprezo chega à mim, ó minha pessoinha..
Reconheço tua cara, teus valores, tua sombra
Não fujas de mim tongada de arabaté
Seu sorriso baianês já burla mil segredos (que essa Bahia tem)
Ah, tongada, tu que rodas na branca Salvador e desfilas orgulhosa de si
Na Bahia de todos os santos
Tu e teus vestidos brancos
Tu e tua secreta dor

privisão du tempu

Tuniquéu tá preocupado ci hoji vai chovê
Cidinho dissi qui não, qui céu vai abri, pra Tuniquéu não caricê di ci preocupá
Cidinho é legal cum Tuniquéu
Mas Tuniquéu insisti qui vai chovê
Chove não Tuniquéu, diz Cidinho
Hoje abri o céu!
Mas Tuniquéu não gosta di sê contrariado
Chove sim!!Puxa seu estilete e abre a barriga di Cidinho

terça-feira, 4 de agosto de 2009

dentrosp

doído espaço meu, no sofá que não me pertence
de vermelho vim as unhas
de roxo vim os cabelos
não importa que dia exato
serei levada embora à doçura
aqui é agridoce. pimenta.
pimenta rosa.
nos meus olhos é refresco

sonho sp

Desci pela Alameda Franca
5 vezes ou quatro
na esperança de achar meu nome
reduzir-me a verbo
cangaceira de espírito
mastiguei tudo, venci corpo físico
Av Paulista convertida à pó
seduzo-me
visto-me de branco no meio de terno
repleta de ternura
tesa pelo ar do metrô
apontei avante
segui a esfinge
subindo ladeiras, encontrei meu esposo
fascínio de nova vida
agora nova
repete foto
fatura de banco
reduzo-me a um verbo
Verbo incorrigível

...

Ponte de história, arriscar mirar o céu
cabeça a mérito. plena confiança no desgaste da certeza
Assopra...que o que não se sabe já vem

é

foi ser humano e zap! abriu a pele do peito com as duas mãos
apareceu carne sangrenta, costela, nervos, ossos, veias.
quando o coração teima em querer coisa...

gramaticando

Se ao menos o sujeito
Pré-dicado fosse
(Afinal, sujeito faz algo a alguém)
Eu faria uma oração e pediria à Gramática
Que me ensinasse alguma tática
Para falar a mesma língua que a tua
Craseada, pontuada e oculta

(para a eterna Tia Lea, mestra)

Canto para Ana Cristina César

Jovem de cabelos azuis
Retorna pela mesma ponta da palavra
Que te iniciou (e te deixou pelo avesso)
O céu já está totalmente rasgado
Os telefones continuam tocando
O ar se revolta e deixa a noite e deixa toda a noite
Girando, balançando tais como guizos
A idade de dezesseis anos, príncipes e princesas
Facas, fogo, fagulha
Perpassa ligeira
É Ana correndo poeta
E num terceiro sopro me perco



Para quem diz se sente mais forte
Atende o telefone
“que quer agora? Que me deite em frente ao Paço Imperial e fale tudo o que memorizei? Acontece que números não são gente, acontece que se o infortúnio quiser não continuo pela Av Brasil, aquela outra esquina, palacetes enormes de encontro com o acaso céu, ali sou feliz...Repete comigo: Já não memorizo aquelas fagulhas....”


Xicrinhas, toalhinhas, imensidão branca
Algumas luzes penduradas, focos difusos
Enquanto se comia e bebia
Ana pensava
Que talvez, no fundo imundo
do café
Haveria quem sabe
Uma agulha curiosa
Que espetaria a cozinha
E ela murcharia
Triunfante então
O dia que dormia
Finalmente
Nasceria


Ela saíra
Ligara na rádio MEC. Tocava um blues galopante
Cigarro, não thank you
Vai um daikiri?
Liga a chave do carro
Galopante, ela e o cigarro
Glaopante, ela e o daikiri
Roda pneu pensamento
Desliga a rádio MEC
Não se segura, pára o carro
E liga para ele
And call him



Não sou dada a relaidades, mais vale me
Achar nas profundezas colossais dos delírios lamacentos e in-
Finitos são aqueles que me puxam para cima do irreal, não quero ar-
Realidade posta, imposta, uma bosta
Junta aqueles que com aqueles vão
Já não quero nada, nem um cigarro tal-
Vez agora, vez nunca
Quero para mim o que chegará, o que milagrará em Deus-
A tua cabeça, a
Tua alma are-
Já teu espírito
Coloca no meu
Agora tudo gira
Já não é mais tempo
O tempo se des-
Pe, mão , cabeça
Meu corpo é o próprio tempo
Me arranca do minuto



Ana para ser mais uma
Cristina para ser mais séria
César para ser a glória


Dispersando o ineditismo da poesia!!Now!!

flaubert reloaded (antes de benjamim button!)


O relógio era dourado, Rolex. Flaubert era o nome dele (do dono do relógio!). Foi um presente de seu pai o Sr Standorf, pelo ingresso no escritório de advocacia mais conceituado do Rio de Janeiro.
Flaubert, muito respeitado por todos fazia da sua vida uma rotina , uma agenda que se resumia em “pendências”, “urgente”, “resolvido” e “pagamentos”.
Pendente, o relatório do caso de Sra Joana Cassis Rocha.
Resolvido, a maçaneta da porta do toalette do segundo andar de sua casa do Alto Leblon.
Pagar, o curso de violino da Paulinha, a caçula.
Urgente, relógio quebrado.
Relógio quebrado?

Era um fenômeno. Flaubert estava descendo as escadas caracóis do escritório saído da reunião quando preocupado com a saída de Isabel (a do meio) olhou num ímpeto o pulso da sua mão esquerda!
Muito estranho! Eram 13:45 sendo que a reunião começara às 14:30!
Parou?- Não!- Tictactictac
Estava funcionado....
Correu direto à joalheria do cunhado, no centro da cidade.
Victor, tenho um problema: o relógio do meu pai.
O Rolex?
Isto, o dourado antigo, ele está com problema.
Certo, certo...passe aqui às 19:00hrs e eu o devolvo em perfeito estado.
Que horas?
19:00...
Ahn..
Algum problema?
Vou estranhar a ausência dele aqui no meu pulso...
De grande valor sentimental? (- corta Victor, como tentando adivinhar)
Perdão?
De grande valor sentimental! O Roléx!
Ah, sim! Evidente...Tome cuidado com ele, sim? É...Tenho um forte apego com presentes.
Sem preocupação! Às 19:00hrs!
Ás 19:00....sim...
E saiu...Estava escurecendo mais do que o normal...Talvez mais nublado, o vento frio batendo...
Isabel!
Correu com seu carro para a escola da Bel.
Pai!
Bel, vamos ter que jantar na rua, eu tenho que estar no centro às 19:00hrs...
Às 19:00?
Sim, às 19:00....
Foi até divertido o fast-food de Flaubert e Bel. Mais para Bel. Ela contava as novidades da escola. Ele quieto. Pensando...
Hein, pai?
Ahn?
Tá no mundo da lua?
Ele sorriu com o deboche da menina de 12 anos.
Já devem ser 19:00hrs- disse ele levantando com a pasta.

No carro Bel dormia no banco de trás, afinal teve educação física na escola.
Joalheria Tempo D’ouro, nº21
Flaubert salta do carro e Bel dorme.
Opa! Chegou a tempo Flaubê!
Flaubert detestando o apelido como sempre.
Ahn...Oi ...Já está ok?
Pois é ...Ele não parou não! Ta andando para trás! Já mexi, remexi, mas o danado só quer saber de ré!
Pegando o Roléx, Flaubert examina
Que estranho!
Já ta na hora de jogar ele fora! Entendo o seu apego, coisa e tal, mas...ele já ta velho.
Sim....sei...Bom, de qualquer forma, obrigado. Quanto lhe devo?
Pro cunhado Flaubê é de grátis!

Na cama, no escuro, Flaubert não consegue dormir.
Urgente, pendências resolvido, pagamentos...
Ok! Okokokokokokokokokokokokokokokokokok
Não era isso que o incomodava
Maleta, cheque, óculos, relógio...
Relógio, relógio, relógio, roléx, roléx, roléx
Tictac, tictac, tic-roléx, tac-dorado, tictac, trás, trás-tac, tic-trás..
Estranho andando para trás...
Foi para a varanda do quarto. Olhou o céu. As nuvens se dissiparam, muitas estrelas, cor azul-petróleo, lindo, um vento fresco, cheiro familiar...
Acende um cigarro
Ana (sua mulher a 14 anos) tosse.
Meu bem? (acordando)
Hum?
Você está acordado?
Hum, hum.
Que horas são?
Horas?
É...Flaubert! Meu bem, fumando a essa hora!
Hora?
É! Querido algum problema?
Não sei, é estranho....O meu relógio ta andando para trás
Relógio, o Rolex?
É...
Dourado?
Sim...
Tá na hora mesmo de você se desfazer dele...
Não sei...hora...engraçado....parece que é um sinal.
Ah, Flaubert, você pode apagar o cigarro (virando de lado, se cobrindo com o lençol) amanhã tenho que acordar ás 6:00hrs, to cheia de pendências na produtora (daí a frase vai virando um grunido até Ana dormir suspirando...)
06:00hrs....(Flaubert apaga o cigarro)

Já não dorme. Pensa no sinal. Andando para trás, andando para trás....Tic-tac, tic-tac...tac-tic, tac-tic.
Tem que acordar ás 06:00hrs! Para pagar todas as contas! Para resolver todos as pendências, urgências, dependências...
o ponteiro é imenso! e eu pequenininho, quero que amanheça logo! Para entardecer logo! Para anoitecer logo!
Para que todas as ências sejam resolvidas!!

O ponteiro é gigante, ele vai de 5:59 para 5:58! Mas eu insisto! Me penduro na grande seta e com todas as minha forças puxo para 6:00! O ponteiro é cada vez maior e eu cada vez menor! Amanhece! amanhece logo! Eu agora estou 5:57, cada vez mais longe de 6:00! É muito alto! 5 e 56! Minnhas mãos suam, meu roléx cai lá embaixo! Ele se quebra. Sinto que vou cair. Cair.cair.

Acordo suado. O telefone toca. Ana avisa que estou atrasado. “Bel vai perder a escola”, avisa ela.
Levanto.são 11 hrs!
Uma felicidade tímida envolve meu corpo empapado por delírios noturnos!
Olho para fora, muito sol.
Entro na ducha. Fria, gelada!
Fecho o olho.água que escorre e pinica minhas costas.
Água, água, mar, água.
Deus saudade. Do mar, do surfe.
Abro o closet. Ela ainda está lá.
Pega a prancha, havaianas, bermuda...tudo cheiro de mofo.
Bel com toddinho na mão “Pai, eu não vou para a escola?”
Não, a gente vai para praia.
Bel com o canudo e leve sorriso na boca “E você não vai para o trabalho?”
Vou.....mais tarde.

Ondas, mar, tic-tac
Segunda, terça, quarta, tic-tac
Roléx na cabeceira......t........i.......c........

Flaubert contente
É um sinal?


t.........i..........c

Flaubert feliz
É um sinal!


As filhas já não o reconhecem mais.
Ele de repente some,
Aparece da praia
Do circo

Ele de repente de praia, de circo

Deu saudade. Saudade deu sinal. O tic-tac é um sinal!

Lembra de Penedo, 5 anos, primeiro beijo, primeiro sorvete?

Flaubert está mais jovem!
Todos comentam!
Emagreceu!
É o surfe!
Que nada, é a separação! Ana era mesmo meio neurótica...

Penedo, primeiro sorvete, primeiro beijo, primeira prancha, colo de mãe, pai, ai pai! Relógio.Roléx! Dourado, sol, sol dourado, mar, mar, onda
Água, água...

Alô?Alô?
Por favor o sr. Flaubert?
Chefe?Pagamento?Urgente?
Que? Que horas?

Que hora você vai criar juízo, menino? Ai, mamãe...D.Zuleide, paraibana casada com Sr. Standorf irlandês...Ai, papai!
Brasil Penedo! Bolinha de gude verde....
Flaubert está mais jovem!
E o jovem foi ficando cada vez mais magro, sua careca foi encabelando! Ficando engraçado!
Cara de menino! Tic-tac, tic-tac.

As filhas Paulinha, Bel e Suzanna (que voltara de intercâmbio da Austrália) choravam com a aparência do pai!
Ta parecendo um menino, um moleque! Moleque! Ta virando um moleque magro, safado, sardento! Pequeno com ralado no joelho, tomando sorvete, tomando Penedo! Tic-tac, tic-tac. Carrinho de rolimã dourado, sol dourado, Roléx dourado! Tic-tac, tic-tac!
Menino tá ficando pequenininho! Comendo muitinho!

Bel, Paulinha e Suzanna dão papinha de maça para ele. E choram, choram...água, água, mar! Ondas, sol, sorvete...papinha. sorvete de chocolate, de cacau, de leite, leitinho....de mãe! Leitinho da Ana divorciada que chora e alimenta o Flaubê!
A vizinhança do Leblon comenta, o Rio comenta. Deu no jornal: O caso do advogado Flaubert!
Urgente! Urgente!!

E a família chora. E o Rio ri!
Ri tanto que chora... Água! Praia, mar, água, água, água!

Útero!

Útero…

E Flaubert desaparece.